13.11.09

APORIAS
E INOMINÁVEIS

PEDRO FAZENDA. ESCULTURA






Estes objectos são parte de duas famílias, cuja evolução tenho
vindo a acompanhar há alguns anos. Cruzam-se e afastam-
-se sem ciclos ou ritmos, que me sejam perceptíveis por
enquanto. Às vezes surgem, de repente, completamente
definidos, como um flash brilhante. Outras, vão-se construindo
lentamente, sem necessidade de se revelar no seu todo,
trocando elementos com a mesma família, ou com a outra,
originando derivações e sub-famílias.

A aporia é uma palavra de origem grega significando,
literalmente, a não passagem, a impossibilidade da
comunicação. O conceito filosófico é mais paradoxal, pois a
comunicação, a passagem ou a interpretação, são possíveis
aparentemente mas, efectivamente não passamos, não
comunicamos e a interpretação leva-nos a um absurdo beco
fora do tempo. Sócrates, o grego, usou o conceito, Aristóteles
definiu-a como a igualdade de conclusões contraditórias.
Shakespeare, Beckett, Borges, Ramos Rosa, Foulcault, Derrida,
Clarice Lispector, Van der Graaf Generator de Peter Hammill,
David Lynch, os que não me lembro agora e outros que não
Conheço, utilizaram a aporia no processo criativo e filosófico.

As duas famílias confundem-se, quando melhor as conheço,
mais semelhantes e diversas me parecem. Não me interessa
investigar genealogias ou identificar relações pontuais, sou
um observador anónimo, intervenho o mínimo naquilo que
me é dado observar, uma pequena parte do todo, que não
consigo imaginar. Acontece a estes personagens, objectos,
utensílios, máquinas disparatadas, aparecerem aleatoriamente
(penso eu). Retenho o que consigo, vou estudando a escala,
a ergonomia e a simbologia. Talvez não tenham função, talvez
sejam resíduos de outro tempo, futuro, presente ou passado.
Resíduos, sobre os quais se especula, estão completamente
descontextualizados, descontinuados.

Pedro Fazenda
outuro, 2009.
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